Montenegro afasta tropas portuguesas na Ucrânia em tempo de guerra

"Está fora de hipótese que haja tropas portuguesas no território ucraniano enquanto houver guerra", garantiu o primeiro-ministro português, esta terça-feira, em Paris.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Luís Montenegro em Paris, França, para a cimeira da Coalition of the Willing sobre a constituição de uma força multinacional que garanta a segurança da Ucrânia Yoan Valat - Reuters

Luís Montenegro saía da cimeira internacional que reuniu no Eliseu a "Coallition of the Willing", uma coligação internacional de boa vontade sobre a constituição de uma força multinacional que garanta a paz na Ucrânia após um cessar-fogo.

O líder do Governo português acrescentou, no entanto, que "não está fora de hipótese uma participação das nossas forças armadas numa equipa multinacional que possa estar alocada a uma missão de paz".

"Isso faz parte dos nossos compromissos internacionais, nomeadamente no seio da NATO, no seio da União Europeia e, neste momento. no seio desta "Coalition of the Willing"", lembrou.

O primeiro-ministro português sublinhou que, esta força multinacional procura responder à necessidade de "reforço da capacidade de defesa da Ucrânia e de reforço dos Estados coligados, nesta equipa que junta os Estados Unidos, a coligação da boa vontade e a Ucrânia".

Uma condição essencial para "dissuadir futuras possibilidades de perturbação da paz", considerou.

Luís Montenegro vê na iniciativa internacional de segurança a possibilidade de auxílio à reconstrução da Ucrânia, particularmente no setor de autodefesa.

O chefe do Governo português lembrou a sua recente visita a Kiev e recordou que Portugal já está a "colaborar" com a Ucrânia, "do ponto de vista das suas capacidades aéreas e marítimas".

"No futuro, quando houver uma paz consolidada", que permita "ter no terreno forças desta coligação", Portugal poderá estudar outro auxílio, decisão a decidir internamente.Questionado sobre quando poderá ser iniciado o debate sobre essa questão, Montenegro não se comprometeu com datas, nem sequer após as eleições presidenciais. A questão ucraniana deverá ser abordada a 9 de janeiro no Conselho de Estado convocado pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

"Portugal tem sido sempre solidário com a sua participação em forças de paz", recordou ainda Luís Montenegro, referindo que "se poderá colocar" um apoio com outras características, dando como exemplo o apoio logístico, o treino, a formação ou as estruturas de comando.

O envio de militares, à semelhança do que já foi decidido pela França e pelo Reino Unido, não está, para já a ser assumido.

O chefe do Governo português sublinhou que "está clara" a posição portuguesa e que ela se inclui no normal funcionamento da coligação pela Ucrânia.
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